Morte de animais na Ilha

15/08/2018
Morte de 350 animais em 10 dias intriga biólogos no litoral de SP.
Fenômeno intriga pesquisadores, que analisam as causas da mortandade desses espécimes, principalmente pinguins e tartarugas.
O número de animais marinhos encontrados mortos nas praias do litoral de São Paulo passou de 350 apenas no mês de agosto. O fenômeno chamou a atenção de pesquisadores do Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC), que analisam as causas da mortandade de pinguins e tartarugas. Os que são recolhidos ainda com vida são tratados em centros de reabilitação.
Desde o dia 1º de agosto, 272 pinguins-de-magalhães (Spheniscus magellanicus), diversas tartarugas-verdes (Chelonia mydas) e outros animais marinhos foram encontrados nas praias do litoral do estado, totalizando 362 animais. De acordo com o IPeC,90% deles foram encontrados em Ilha Comprida.
No ano passado, de 1º a 9 de agosto, foram registrados apenas três pinguins encontrados na praia de Ilha Comprida. Neste ano, no mesmo período, já foram registrados 212 pinguins.Os pinguins-de-magalhães habitam as zonas costeiras da Argentina, Chile e Ilhas Malvinas, migrando por vezes até o Brasil, no Oceano Atlântico, ou até o Peru, no caso das populações do Oceano Pacífico. A migração da espécie acontece no período mais frio, quando os animais podem encontrar na costa brasileira águas mais quentes e comida mais farta, pois cardumes de peixes também migram por conta das baixas temperaturas.Para tentarem descobrir a origem de tantas mortes, os técnicos estão levando os pinguins encontrados sem vida para avaliação no laboratório do instituto. No local, eles coletam material e medem as partes do corpo da ave. Cada análisa leva, em média, 40 minutos.A médica veterinária do IPeC, Arícia Benvenuto, conta que a fase de necrópsia é importante para ver o que há em comum entre os animais mortos. “Em relação aos pinguins, a maior parte deles teve interação com a pesca, ou seja, ficaram presos em redes de pesca. Conseguimos ver várias lesões e machucados nas nadadeiras que indicam isso. Mas esse foi um problema secundário, todos eles já estavam debilitados antes”, explica.De acordo com a especialista, a maioria dos animais encontrados mortos estava em fase juvenil. Por ser a primeira grande viagem deles, muitas vezes os mais jovens se afastam do grupo, ficam cansados, com fome, e isso os torna mas vulneráveis, além da inexperiência.
Quando são encontrados ainda com vida, os pinguins são resgatados pelos pesquisadores do IPeC e levados para o centro de reabilitação. No local, eles recebem tratamento em um ambiente tranquilo, com pouco barulho e muita luz. Após a recuperação, é realizada a soltura dos animais nas águas.
Além dos pinguins, seis tartarugas-verdes também passam por reabilitação, com soro, água e descanso. A ideia é devolvê-las ao mar o quanto antes. Elas ficam em quarentena e, de acordo com o desenvolvimento do tratamento, os veterinários voltam a inserir os animais no tanque aos poucos, para que eles possam voltar para o oceano.
Apesar dos primeiros resultados dos estudos, os técnicos seguem analisando o fenômeno para definir a causa da grande mortandade.
Fonte: G1 Santos; 13/08/2018